Performance 


Colaboração Odun Orimolade

Colaboration Odun Orimolade


Yaba College, Lagos, Nigeria, 2018


Photos Ayo Akinwande

ARA NI ARA I


A mim me interessa inverter. As cores. Os lados. A história.


Colocar meu corpo disponível como ferramenta para descolonizar pensamentos, situações e a própria história através da visão, nosso sentido mais predominante.


Me coloco no espaço a fim de curar os olhos brancos que ainda não enxergam a força negra, o poder negro, a ancestralidade negra que habita a raiz do nosso planeta.


Com um caminho pautado em tanta desigualdade e violência acredito que a única maneira de equilibrar seja exaltando o outro extremo do que foi por nós criado.


Eu me coloco aqui e agora para servir o negro. Limpar o chão que ele vai pisar, oferecer meu corpo como ponte, lavar seu corpo, cantar para seu corpo, dançar para seu corpo e carregar seu corpo para onde desejar.


Anseio que essas visões, abram os pontos de vista colonizados e viciados. Que elas tragam a simples e imensa percepção de que um corpo é só um corpo, ARA NI ARA, de que raça é um conceito inventado para despotencializar o povo, as tribos.


E que consigamos criar mais e mais lugares completos, onde haja o encontro dos dois mundos, onde hajam muitas intersecções saudáveis e muito mais potentes do que a de uma cor só.


Por fim, que o branco sirva o preto até que toda a injustiça seja paga, até que se possa falar em igualdade. O caminho é longo, mas possível.

ARA NI ARA I


It interests me to reverse. The colors. The sides. The history.

Putting my body available as a tool to decolonize thoughts, situations and history itself through vision, our most predominant sense.


I place myself in space to heal the white eyes that still cannot see the black force, the black power and the black ancestrality that inhabits the root of our planet.


With a path based on so much inequality and violence I believe that the only way to balance is to exalt the other extreme of what was created by us, social creatures.


I put myself here and now to serve the black. To clean the floor that they will step on, to offer my body as bridge, to wash their bodies, to sing to their bodies, to dance to their bodies and to carry their bodies to where they wish.


I long for these visions to open up the colonized and addicted points of view. May they bring up the simple and immense perception that a body is just a body, ARA NI ARA, that race is a concept invented to depotentialize the people, the tribes.


And let us be able to create more and more complete places, where there is the meeting of the two worlds, where there are many healthy intersections and much more potent than that one of a single color.


Finally, let the white serve the black until all injustice is paid, until we can speak about equality. The path is long, but possible.

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